Onde ver: Cinema
9.5Nota da Hybrido
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8.0

O aguardado nono filme do cineasta Quentin Tarantino, “Era Uma Vez em Hollywood”, estreou nesta semana com toda a expectativa que a filmografia do cultuado diretor impõe no que se trata em contar histórias com alto referenciamento cinematográfico e cultural.

Desta vez, Tarantino escolhe um recorte específico do fim dos anos 60 para criar o universo de seu filme, que envolve um pouco do fim do cinema dos grandes estúdios, nos meses que antecederam o surgimento do culto de Charles Manson que assassinou seis pessoas na noite de 6 de agosto de 1969, entre elas a então esposa grávida do cineasta Roman Polanski, a atriz Sharon Tate (no filme interpretada pela atriz Margot Robbie).

Neste recorte, vemos a história do ator de TV, Rick Dalton (Leonardo Di Caprio), que passa pelo declínio de sua carreira toda voltada para seriados de TV, frustrado por não ter atingido o estrelato no cinema, e Cliff Booth (Brad Pitt), seu dublê para cenas perigosas e que atua como uma espécie de assessor de Dalton em todas as searas, num forte laço de lealdade e amizade entre eles.

Rick Dalton é vizinho de Sharon Tate, e basicamente é esse elo geográfico que insere o arco dramático e fictício criado por Tarantino na relação desses dois amigos e colegas de trabalho no universo que o diretor escolheu para situar sua história, incluindo Tate e até mesmo o próprio Polanski (interpretado pelo ator polonês Rafal Zawierucha) e pessoas próximas ao casal.

Tarantino pincela várias referências ao longo do arco dramático dos dois protagonistas, seja o dia-a-dia profissional ou pessoal de ambos, e em paralelo mostra a vida que Sharon Tate levava longe dos holofotes com doçura e leveza, e esse contraponto leve do arco narrativo dela nos acompanha até o final do filme, na grande virada da história.

Os papéis profissionais dos personagens Rick Dalton e Cliff Booth, onde o ator e seu dublê funcionam num esquema doppleganger para além das filmagens, e a escolha do coordenador de dublês Randy como o narrador transpõe essa relação descrita na entrevista que introduz o filme, e Booth realmente funciona como um suporte de Dalton para todos seus problemas.

A relação de amizade bonita entre eles e o final do filme como um todo compõem o mais sentimental filme que Tarantino realizou, com precisão técnica notável na fotografia, design de produção e na trilha sonora, e com excelentes interpretações de Leonardo Di Caprio e Brad Pitt como os protagonistas, além de Margot Robbie emprestar toda a sua simpatia e beleza para transpor a Sharon Tate como um emblema, um coração daquela Hollywood.

Mesmo exagerando um pouco na extensão do primeiro ato, criando pequenas barrigas no roteiro apenas para apreciação dos fãs mais cinéfilos, o filme entrega o padrão que a filmografia de Quentin Tarantino se impôs, e já nos deixando na expectativa do que veremos no próximo filme deste grande cineasta.