Avaliação Hybrido
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“As Bestas”, novo filme do cineasta e roteirista espanhol Rodrigo Sorogoyen, traz o estabelecimento básico da intolerância e incomunicabilidade da sociedade moderna transposta para um pequeno vilarejo da Galícia, no confronto entre vizinhos: Antoine e Olga, franceses que vivem de plantação de tomate no local, e os irmãos Xan e Lorenzo, moradores locais e criadores de gado e porcos.

A cena que introduz os créditos do filme é ilustrativa de como a população local resolve os problemas, mostrando personagens daquela comunidade domando um cavalo arredio no braço, o imobilizando à força na base da gradual imobilização do animal. Os franceses se tornam os únicos a não aprovarem a instalação de instrumentos eólicos, por não ser uma indenização relevante em sua realidade burguesa, diferente para os demais daquele vilarejo pobre.

Sorogoyen já se mostrou um cineasta muito apto em construir situações crescentes de tensão em filmes anteriores, seja no desaparecimento de um filho (“Madre”) ou na sobrevivência de um político e seu partido no sistema espanhol (“O Reino”), e aqui ele cozinha o entrevero de vizinhos de nacionalidades e realidades distintas a fogo baixo, e mesmo sabendo que a explosão de violência ali será inevitável, coloca o espectador com o coração na boca até a sua efetivação.

E o terço final se torna um posfácio que, para muitos desnecessário, mas que nos coloca vendo os efeitos da consequência de toda intolerância e incomunicabilidade do lado derrotado, até que a injustiça seja corrigida no seu desfecho, onde apenas uma notícia basta para tudo se desencadear para os espectadores. Neste ponto, o roteiro e a montagem são parceiros sanguíneos para a construção deste arco dramático, num filme bem interessante enquanto observação comportamental da sociedade moderna, mesmo num microcosmos como o deste filme.