Nota da Hybrido
8Pontuação geral
Votação do leitor 5 Votos
8.8

Após o intenso episódio anterior com a Batalha de Winterfell, algumas mortes e a extinção do mal vindo através do Rei da Noite e seu exército da morte, enfim a série voltou à sua pegada original após longo período afastada das tramas e ardilosidades de bastidores na luta pelo Trono de Ferro, entre os sobreviventes unidos vindos do Norte e o Exército Real reforçado por alianças sócio-econômicas de quem está no poder.

E se existe alguma certeza nesses vaivéns da questão do Trono de Ferro na série, é que no final a linhagem familiar de cada personagem dá a linha de seu arco enquanto personagem, independente de sua popularidade com seus espectadores, e a força da mistura de linhagens e mais a força de relações de confiança não-sanguíneas aflora na figura de Jon Snow a imagem perfeita de um futuro líder que possa trazer paz e representatividade em Westeros.

Se em território familiar para além de Westeros Daenerys construiu sua liderança libertando o povo oprimido e trazendo-o para a defesa de sua bandeira de ser a rainha legítima, em Westeros fez a opção de liderar baseada no poderio ofensivo de seus dragões, subjetivamente usando o medo para conquistar, e sem muita habilidade para fazer espontaneamente o que se espera de um líder, a boa e velha política (o que a nomeação de Gendry, o filho bastardo de Robert Baratheon, em meio à bebedeira em Winterfell, mostra como ela opta pelo populismo).

Porém, a impulsividade e a paranóia da linhagem Targaryen aflora em meio a perdas significativas da personagem, mas num momento ruim para sua afirmação como líder, e sua decisão comanda seus seguidores a uma primeira derrota na grande batalha pelo Trono de Ferro, e a perda de mais um dragão pela besta desenvolvida em King´s Land para reprimir a ameaça à longa distância.

Os irmãos Lannisters também enfrentam grandes questões nesse episódio, seja Tyrion se degladiando internamente entre sua crença e sua razão sobre o futuro de Westeros, seja Jamie com seus conflitos entre sua felicidade e suas obrigações genealógicas, colocando seu futuro movimento em aberto após deixar Winterfell e a apaixonada Brienne.

Se Jon segue seu caminho de renegar o poder em busca do bem maior, confiando (demais) em todos que ele ama, Sansa demonstra a cada episódio ter se tornado uma proeminente líder de seu povo com seus posicionamentos e movimentos de bastidores, enquanto Arya e Bran seguem seu arco na série, uma ativamente em busca de sua vingança e novas finalidades assassinas, e o outro como espectador da história daquela humanidade.

E Cersei Lannister realmente se confirma como a grande vilã da série, com toda a profundidade que uma série exige de seus personagens principais, agindo com sabedoria e estratégia até a cena final, onde mostra o grande perigo do poder dominante e centralizado sobre a mente de uma pessoa, um lema comum e bem presente na política e que aqui num ambiente de fantasia com a pegada de tramas em torno do poder não deixariam de lado neste desfecho. Vai ser difícil cicatrizar todas os equívocos das últimas temporadas, mas é um grande acerto a volta da série à sua raiz temática.